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   sexa embaixador     

É um privilégio associar-me às comemorações dos 75 anos da Organização das Nações Unidas (ONU), com quem tive a honra de trabalhar por diversas vezes ao longo da minha carreira:

- De 1994 a 1998, em Nova Iorque, onde representei Portugal na 4ª Comissão Política e Especial de Descolonização (cujo trabalho levou à independência de inúmeros territórios não autónomos, como Timor-Leste, que exerceram o seu direito à autodeterminação e são hoje países membros de pleno direito da ONU), onde colaborei na eleição do Prof. Freitas do Amaral como Presidente da 50ª Assembleia Geral das Nações Unidas, então comemorada com um concerto lusófono na respectiva sala de trabalhos, e onde participei na eleição de Portugal para o Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 1997/1998, tendo ali sido responsável pelo Magrebe, Médio Oriente e Golfo e Timor Leste;

- Em 1999, em Dili, depois das negociações entre Portugal e a Indonésia sobre Timor-Leste  sob os auspícios do Secretário Geral das Nações Unidas, onde participei, terem determinado a realização de um referendo, no qual os timorenses optaram pela independência;

- Em 2003, no Iraque, onde trabalhei, representando Portugal, com a Missão da ONU chefiada por Sérgio Vieira de Mello.

Como se verifica, sou verdadeiramente um entusiasta “onusiano” e multilateralista.

Entendo que sem a ONU e a sua Carta, que continua actual, no centro das transformações que alteraram e continuam a mudar o Mundo, quer nos desafios “tradicionais“ como o subdesenvolvimento, as questões nuclear, química e biológica, o terrorismo, a regulação do comércio internacional, a protecção do Direito Internacional e em particular dos Direitos Humanos, a que se somam desde há algum tempo a consciência de outras ameaças como as alterações climáticas, as pandemias, o regresso às “zonas de influência” e a cibersegurança, exacerbadas pelos efeitos nefastos da globalização, todas estas questões não encontrarão uma solução satisfatória.

É assim, no seu quadro multilateral insubstituível, nomeadamente no âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, que deve ser respeitado voluntariamente e admirado pelo trabalho já realizado, que todos os seus Estados–membros e grupos regionais devem colaborar de forma equilibrada e solidária, com vista a salvar o planeta de ameaças que afectam o devir da própria Humanidade. Isto só se pode fazer se nos unirmos sem hesitações em torno do que nos associa, deixando cair divisões egoístas que aprofundam os nossos problemas e atrasam a sua resolução.

Temos assim que acreditar na capacidade e competências instaladas da Organização, nos seus funcionários, designadamente dos que estão no terreno, e na visão dos seus líderes, em particular do seu Secretário-Geral, Engª António Guterres, que nos querem ajudar, se o deixarmos, a moldar o futuro para preservar a Humanidade.

Luxemburgo, 24 de Outubro de 2020

António Gamito

Embaixador de Portugal no Luxemburgo

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